quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Férias
sábado, 6 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Colagem
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
a family full of eccentrics

She's in a family full of eccentrics
She done things I never expected
And I need more time
Na minha infância, tudo parecia perfeito. Avós eram avós, pais eram pais e bruxas más eram bruxas más. E, de qualquer forma, eu não tinha nenhum senso crítico. Que me importa quando eles se casaram? Antes tarde do que nunca (será?). Quanto depois, melhor, pois pelo menos pude comparecer à festa. Ainda lembro do blazerzinho lilás com borboletas, era Maria Guria ora essa!
Além disso, tudo era muito simples. Natal era quando havia aquela longa e enjoativa viagem para chegar naquela casa mágica, cheia de recantos possivelmente encantados, grandes livros de capa dura e pequeninas colheres (ai, o que terá sido feito das colheres?). A luz daquele verão continental entrava vigorosa, iluminando o tabuleiro de xadrez gigante e, reparem, embaixo da escada havia uma caverna disfarçada. Logo ali, estava a passagem secreta para nosso salão palacial. Existiam duas passagens, em verdade, para facilitar fugas inesperadas e, caso nada mais funcionasse, ainda existia a possibilidade de se esconder atrás dos véus etéreos da invisibilidade (cortinas). Não que não houvesse perigos, pois havia, mas, claro, a proteção estava a uma macia mão de distância, na cama ao lado, com seus típicos ‘bobes’, que eu considerava horrorosos (e ainda considero). E a casa ficava cheia (como deveria ser), com barulhos e discussões não importantes e incompreensíveis para mim, tudo parte do teatro cômico apresentado pelo meu castelo para o meu entretenimento.
Depois, minha casa tornou-se assombrada, fantasmas para todos os lados, teias de aranha e mulas-sem-cabeça. O retrato em cima da lareira me segue com o olhar. Onde está você? Quebraram o encanto da minha cerebral fada madrinha com uma áurea pesada. Nestas situações apocalípticas, os animais são os primeiros a perceber que algo está errado e reagem da forma mais inteligente: fugindo. Todos fogem. Resta apenas aquele que pensa que não é animal, apenas espírito, pairando morto-vivo pelos escombros. Agora, é a bruxa má que está a uma mão de distância.
E foi-se a vaca e a vacaria para o brejo. Nunca mais voltei porque brejos não são a minha praia.
Basta tirar a pedra de contato do topo da abóbada para ela desabar irremediavelmente. Os tijolos espalham-se desamparados pelo chão, alguns ainda unidos, enquanto outros nunca mais construirão coisa nenhuma juntos.
Todo ano tento reconstruir aquele antigo encanto, o problema é que esqueci minha varinha mágica no jardim secreto e, ouvi dizer, que existe agora um galinheiro em seu lugar. É inútil. Não há enfeites natalinos que espantem as traças que roem a costura de nossa colcha de retalhos familiar. Penso na saudade dos enxertos que já caíram, tento substituí-los por Quebra-Nozes enviados por sedex e, assim, passo meus dias bordando.
She's got a sister
And god only knows how I've missed her
On the palm of her hand is a blister
And I need more time
Quando eu era pequena queria muito uma irmã. Não tem graça em brincar sempre sozinha. Alguém tem que fazer a voz da outra boneca. Me perguntaram, então, se eu queria uma irmãzinha para ser minha amiga. A resposta era óbvia. No ápice de meus três anos, concluí meu primeiro contrato verbal com meus pais. Para variar, havia letras miúdas. Ninguém me disse que, na verdade, eu estava ganhando um pequeno ser com quem eu teria de dividir tudo e que era completamente incapaz de fazer outra coisa além de chorar, cagar e roubar a atenção que deveria ser só minha. Como um pequeno gremilin, passava seus dias rabiscando meus livros e arrancando as pernas do namorado da Barbie (agora faz de conta que ele acabou de voltar da guerra). Minha irmãzinha veio estragada, será que não dá para voltar na loja e trocar? Não, não dá. Ai, que raiva! Me enchi de desprezo por aquilo tudo. Melhor ignorar.
Certo dia, ela estava lá, se arrastando pelo chão feito uma minhoca, veio até mim e disse: “ma”. Não era nada demais. “Manhêe, ela tá te chamando!!”. Daí veio meu pai e disse que aquela coisinha já sabia dizer “mãe”, que era “ma” de mana. Aquilo me atingiu feito um raio. Olhei para ela e, sim, lá estava minha irmã, minha prometida amiga. Me enchi de ternura por aquele pedacinho de gente que então passou a ser um pedacionho de mim.
Hoje a reconheço como gente, como chata, como querida, como o ser amado e inconveniente que é... é aquilo, né...she is my sister and therefore one half of me.
And I want you to know
I've got my mind made up now
But I need more time
And I want you to say
Do you know what I'm saying?
But I need more ....
Coz I'll be you and you'll be me
There's lots and lots for us to see
There's lots and lots for us to do
She is electric, can I be electric too?
Realmente, essa coisa de família é muito complicada.
She's got a brother
We don't get on with one another
But I quite fancy her mother
And I think that she likes me
Minha mãe é um ser confuso, passa seus dias me ignorando, me protegendo, me cobrando, me incomodando, me amando. Enfim, ela não se decide sobre o quê fazer comigo e, enquanto ela pensa, eu vou me fazendo por mim mesma, já que não gosto de perder tempo. Acho que a acostumei mal. Pais a gente tem que educar desde pequeno, ou eles ficam impossíveis. Os meus, por exemplo, tem o péssimo hábito de achar que eu consigo fazer tudo sozinha, porque, afinal, sou uma marmanja. E eu passo meus dias procurando aquela aprovação incondicional que só Freud explica, ao passo que é tudo como se não fosse mais que a minha obrigação mesmo. Ora, eu não tenho problemas, pensam eles, fingindo que não enxergam meus cabelos caindo, minhas alergias à flor da pele (literalmente) enquanto reviro os olhos e espumo pela boca ensandecida, louca de cansaço da minha rotina eletrizante.
Bom, Inês já é morta mesmo. Me acostumei a ser desse jeito, de modo que, de tempos em tempos, quando eles resolvem se preocupar comigo, fico furiosa. Onde já se viu me tratar que nem criança, se eu já sou uma marmanja??
She's got a cousin
In fact she's got 'bout a dozen
She's got one in the oven
But it's nothing to do with me
Tenho aquela família italiana típica. Meu pai tem uma penca de irmãos e eu devo ter quase vinte primos (não sei, nunca parei para contar). Eu estou ali bem no meio, icógnita, sem cheirar nem feder, com minha cara de Sandy. Neste lugar, ninguém me vê, eu tanto faço como tanto fiz. Por isso, prefiro a família da minha mãe, em que posso ser a Ursa Maior da constelação de primos pequenos rumo à Terra do Nunca, e, tudo bem, eu deixo minha irmã fazer o papel de Sininho.
And I want you to know
I've got my mind made up now
But I need more time
And I want you to say
Do you know what I'm saying?
But I need more ....
Coz I'll be you and you'll be me
There's lots and lots for us to see
There's lots and lots for us to do
She is electric, can I be electric too?
Can I be electric too?
Can I be electric too?
Can I be electric too?
She's eletric, Oasis
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
A Formiga e a Cigarra
Parte I - FORMIGA GOING WILDA fábula todo mundo conhece: cigarra curtindo o verão, a formiga trabalhando feito uma condenada, daí chega o inverno e a formiga faceira, bem montada em sua previdência, e a cigarra morrendo de fome e frio. De fato uma bela lição penso eu. Até porque, quando nasci, um anjo de extrema-direita-pequeno-burguês, veio e falou "vai ser formiga-extrema-direita-pequeno-burguesa-maníaca-consumista na vida". E lá me fui mesmo, já que, como boa formiga, não poderia contrariá-lo. É o tal do superego, diria Freud. É que a formiga trabalha porque não sabe cantar, diria Raul.
Acho que, no fim das contas, a formiga trabalha e trabalha e trabalha e trabalha para um belo dia não ter mais trabalhar, mas acaba trabalhando mais e mais e é o carnê da renner e o celular e o jantar naquele restaurante e o suquinho de maçã e a tosa do cachorro e sapatos o suficiente para seus três pares de pés-pequeno-burgueses e só deus sabe mais o quê...em resumo, a formiga só trabalha e gasta seu rico dinheirinho suadinho (argh!!) em suas inderrogáveis necessidades-pequeno-burguesas, enquanto faz malabarismos com livros, processos e advogados empoeirados (ai, rinite!), agüentando a formiga-rainha-da-cocada-preta com seu ácido fórmico mais azedo que limão velho.
Reparem, portanto, que a formiga é uma imbecil.
Por isso, este ano, a formiga resolveu mandar às favas essa coisa toda, pegar o sr. formiga (que de qualquer forma tem complexo de cigarra) e ir para sua praia-pequenho-burguesa. Não foi fácil. As formigas-soldado tentaram dissuadi-la de sua irresponsável decisão através daquela conversinha mole de "quem sabe tu fica até o recesso" e "obrigado, mas já temos uma cigarra em casa". A formiga mandou-as ver se ela estava lá na esquina... ou melhor, lá na praia.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Inimigo íntimo
Um belo dia, enquanto fazia o ultra-som, minha mãe, por entre aqueles rabiscos e sombras indecifráveis, teve um vislumbre do que seria meu nariz. Apavorada, fez o sinal da cruz e se compadeceu de sua pobre cria. Não que não fosse previsível, já quem nem meu pai e muito menos minha mãe são portadores de um belo aparelho nasal. Felizmente, por ironia do destino, aquela sombra não passava de meu cotovelo.
Contrariando a genética, nasci com um belo nariz, arrebitadinho, até arrogante, diriam alguns. Durante minha infância todos elogiavam meu nariz...mas não se pode confiar no julgamento de parente, de modo que não sei se era ou não bonito o dito cujo.
Então, quando eu já era "gente grande" me apercebi, finalmente, do meu nariz. Lá estava ele, bem no meio da cara, dizendo "oi". Olhei e fiz uma careta. Ai, que feio. Aliás, meio feio, porém não o suficiente para uma rinoplastia ou qualquer outra medida drástica, mas, ainda assim, feio. Concluí que aquele nariz era apenas digno de desprezo.
O nariz, por sua vez, diante da nossa falta de diálogo, resolveu partir para a ignorância, para a agressão física. Foi tomando terreno aos poucos, testando sua força com algumas pequenas alergias. Agora, ciente de seu poder e com sede de vingança, decretou greve geral, resolveu que só vai voltar trabalhar depois das festas de fim de ano, já que há vinte anos não tira férias. Como todo bom tirano, conseguiu aliados, as orelhas e a garganta, e todos, unidos em sua tríplice aliança, estão transformando minha vida num inferno, com seu levante popular em meu encanamento interno.
Hoje resolvi mandar uma proposta de armistício.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Paralelos

Ele também tem uma moreninha (não tão pulguenta) de pequeno porte e personalidade ferina. Quando ele chega, ela é só alegria e amor colorido e leve, mas desesperado. Enquanto ele estuda, ela dorme um sono tranqüilo em sua cama, saciada com a sua presença. Ele estuda, estuda, lá pelas tantas se cansa...já chega. Vai até ela, acorda-a, cheio de um remorso carinhosamente aveludado, e ela lhe olha com aqueles olhinhos que já sabem tudo, não querendo crer. Leva-a para seu cafofo.
Educação emocional

Tudo começou...começou? terminou? Deu uma pirueta e parou no mesmo lugar? Bom, tanto faz...
Assim: falei para não fazer isso (sempre tenho razão) e óbvio que lá se foi a criatura a fazer. Rolei morro abaixo na ladeira da tristeza e, daí, aquele desespero. Chorei, chamei por Deus, pela minha mãe, por quem quer que estivesse disponível, mas estavam todos ocupados e fiquei na secretária eletrônica aguardando o "bip". E, afinal, tudo deu certo (sempre faço dar certo). Não houve chamas ou chuva.
Desci...desci? É, desci morro acima, aos trancos e barrancos, amarrada ao carro alegórico da vida, contemplando o céu azul (como o céu estava azul naquele dia), cantando minha desgraça e pensando na vida, já que pensar sempre foi algo que me apeteceu.





















