sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Formiga e a Cigarra

Parte I - FORMIGA GOING WILD


A fábula todo mundo conhece: cigarra curtindo o verão, a formiga trabalhando feito uma condenada, daí chega o inverno e a formiga faceira, bem montada em sua previdência, e a cigarra morrendo de fome e frio. De fato uma bela lição penso eu. Até porque, quando nasci, um anjo de extrema-direita-pequeno-burguês, veio e falou "vai ser formiga-extrema-direita-pequeno-burguesa-maníaca-consumista na vida". E lá me fui mesmo, já que, como boa formiga, não poderia contrariá-lo. É o tal do superego, diria Freud. É que a formiga trabalha porque não sabe cantar, diria Raul.

Acho que, no fim das contas, a formiga trabalha e trabalha e trabalha e trabalha para um belo dia não ter mais trabalhar, mas acaba trabalhando mais e mais e é o carnê da renner e o celular e o jantar naquele restaurante e o suquinho de maçã e a tosa do cachorro e sapatos o suficiente para seus três pares de pés-pequeno-burgueses e só deus sabe mais o quê...em resumo, a formiga só trabalha e gasta seu rico dinheirinho suadinho (argh!!) em suas inderrogáveis necessidades-pequeno-burguesas, enquanto faz malabarismos com livros, processos e advogados empoeirados (ai, rinite!), agüentando a formiga-rainha-da-cocada-preta com seu ácido fórmico mais azedo que limão velho.

Reparem, portanto, que a formiga é uma imbecil.

Por isso, este ano, a formiga resolveu mandar às favas essa coisa toda, pegar o sr. formiga (que de qualquer forma tem complexo de cigarra) e ir para sua praia-pequenho-burguesa. Não foi fácil. As formigas-soldado tentaram dissuadi-la de sua irresponsável decisão através daquela conversinha mole de "quem sabe tu fica até o recesso" e "obrigado, mas já temos uma cigarra em casa". A formiga mandou-as ver se ela estava lá na esquina... ou melhor, lá na praia.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cotidiano


Todo dia ela faz tudo sempre igual
me sacode às seis horas da manhã

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Lista dos sonhos para o Papai Noel:


Óscar de la Renta:



Michael Kors:


Carolina Herrera:



Dior:


Show da Madonna:



Humm...acho pouco provável...


Funny Face pra sempre!



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Inimigo íntimo


Um belo dia, enquanto fazia o ultra-som, minha mãe, por entre aqueles rabiscos e sombras indecifráveis, teve um vislumbre do que seria meu nariz. Apavorada, fez o sinal da cruz e se compadeceu de sua pobre cria. Não que não fosse previsível, já quem nem meu pai e muito menos minha mãe são portadores de um belo aparelho nasal. Felizmente, por ironia do destino, aquela sombra não passava de meu cotovelo.

Contrariando a genética, nasci com um belo nariz, arrebitadinho, até arrogante, diriam alguns. Durante minha infância todos elogiavam meu nariz...mas não se pode confiar no julgamento de parente, de modo que não sei se era ou não bonito o dito cujo.

Então, quando eu já era "gente grande" me apercebi, finalmente, do meu nariz. Lá estava ele, bem no meio da cara, dizendo "oi". Olhei e fiz uma careta. Ai, que feio. Aliás, meio feio, porém não o suficiente para uma rinoplastia ou qualquer outra medida drástica, mas, ainda assim, feio. Concluí que aquele nariz era apenas digno de desprezo.

O nariz, por sua vez, diante da nossa falta de diálogo, resolveu partir para a ignorância, para a agressão física. Foi tomando terreno aos poucos, testando sua força com algumas pequenas alergias. Agora, ciente de seu poder e com sede de vingança, decretou greve geral, resolveu que só vai voltar trabalhar depois das festas de fim de ano, já que há vinte anos não tira férias. Como todo bom tirano, conseguiu aliados, as orelhas e a garganta, e todos, unidos em sua tríplice aliança, estão transformando minha vida num inferno, com seu levante popular em meu encanamento interno.

Hoje resolvi mandar uma proposta de armistício.





quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Essas mulheres












Maitena traduz como ninguém a alma feminina.



Paralelos


Tenho uma moreninha pulguenta de pequeno porte e personalidade ferina. Quando chego, ela é só alegria e amor colorido e leve, mas desesperado. Enquanto estudo, ela dorme tranqüila em minha cama, saciada com a minha presença. Estudo, estudo, lá pela tantas, me canso...já chega. Vou até ela, acordo-a, cheia de um remorso carinhosamente aveludado, e ela me olha com aqueles olhinhos que já sabem tudo, não querendo crer. Levo-a para seu cafofo.


Ele também tem uma moreninha (não tão pulguenta) de pequeno porte e personalidade ferina. Quando ele chega, ela é só alegria e amor colorido e leve, mas desesperado. Enquanto ele estuda, ela dorme um sono tranqüilo em sua cama, saciada com a sua presença. Ele estuda, estuda, lá pelas tantas se cansa...já chega. Vai até ela, acorda-a, cheio de um remorso carinhosamente aveludado, e ela lhe olha com aqueles olhinhos que já sabem tudo, não querendo crer. Leva-a para seu cafofo.

Educação emocional




Tudo começou...começou? terminou? Deu uma pirueta e parou no mesmo lugar? Bom, tanto faz...

Assim: falei para não fazer isso (sempre tenho razão) e óbvio que lá se foi a criatura a fazer. Rolei morro abaixo na ladeira da tristeza e, daí, aquele desespero. Chorei, chamei por Deus, pela minha mãe, por quem quer que estivesse disponível, mas estavam todos ocupados e fiquei na secretária eletrônica aguardando o "bip". E, afinal, tudo deu certo (sempre faço dar certo). Não houve chamas ou chuva.

Desci...desci? É, desci morro acima, aos trancos e barrancos, amarrada ao carro alegórico da vida, contemplando o céu azul (como o céu estava azul naquele dia), cantando minha desgraça e pensando na vida, já que pensar sempre foi algo que me apeteceu.

Porém, como sou adepta da justiça (sempre faço Direito), não permiti impunidades e saí ferindo quem me feriu. Não que fosse minha vontade, veja bem, tive de cortar da minha própria carne. É só que não foram meus olhos que acabaram cheios de lágrimas. Criei, então, uma oportunidade para sair deslizando, sobre a neve da minha indiferença, para longe dali.
Restaram apenas as cicatrizes da guerra.

epifania


Um dia olhou para um lado e para o outro e, veja só, descobriu-se gente...mais pensante do que falante, fazer o quê...


Então, resolveu abandonar a tal terceira margem do rio e ser feliz.