Parte I - FORMIGA GOING WILDA fábula todo mundo conhece: cigarra curtindo o verão, a formiga trabalhando feito uma condenada, daí chega o inverno e a formiga faceira, bem montada em sua previdência, e a cigarra morrendo de fome e frio. De fato uma bela lição penso eu. Até porque, quando nasci, um anjo de extrema-direita-pequeno-burguês, veio e falou "vai ser formiga-extrema-direita-pequeno-burguesa-maníaca-consumista na vida". E lá me fui mesmo, já que, como boa formiga, não poderia contrariá-lo. É o tal do superego, diria Freud. É que a formiga trabalha porque não sabe cantar, diria Raul.
Acho que, no fim das contas, a formiga trabalha e trabalha e trabalha e trabalha para um belo dia não ter mais trabalhar, mas acaba trabalhando mais e mais e é o carnê da renner e o celular e o jantar naquele restaurante e o suquinho de maçã e a tosa do cachorro e sapatos o suficiente para seus três pares de pés-pequeno-burgueses e só deus sabe mais o quê...em resumo, a formiga só trabalha e gasta seu rico dinheirinho suadinho (argh!!) em suas inderrogáveis necessidades-pequeno-burguesas, enquanto faz malabarismos com livros, processos e advogados empoeirados (ai, rinite!), agüentando a formiga-rainha-da-cocada-preta com seu ácido fórmico mais azedo que limão velho.
Reparem, portanto, que a formiga é uma imbecil.
Por isso, este ano, a formiga resolveu mandar às favas essa coisa toda, pegar o sr. formiga (que de qualquer forma tem complexo de cigarra) e ir para sua praia-pequenho-burguesa. Não foi fácil. As formigas-soldado tentaram dissuadi-la de sua irresponsável decisão através daquela conversinha mole de "quem sabe tu fica até o recesso" e "obrigado, mas já temos uma cigarra em casa". A formiga mandou-as ver se ela estava lá na esquina... ou melhor, lá na praia.

















